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Torcidas · Pesquisa

Quais são os times mais odiados do Brasil?

De um ponto de vista incomum, pesquisa de 2025 acabou por demonstrar que, no futebol, o Brasil odeia menos do que parece

As redes sociais dedicadas ao futebol produzem a impressão de que o brasileiro reserva mais energia para odiar o adversário do que para amar seu próprio clube. Neste ambiente viciado, é comum ver alguém passar horas assistindo ao jogo de um rival apenas pela possibilidade de vê-lo perder. Quando a derrota acontece, comemora-se valendo taça.

Uma pesquisa nacional do Instituto Paraná Pesquisas mostrou, entretanto, que o brasileiro das ruas é menos raivoso do que sua versão digital. Diante da pergunta espontânea sobre qual clube mais odeiam, 42,2% dos entrevistados responderam não odiar nenhum ou gostar de todos. Fosse uma torcida, este grupo seria mais numeroso do que Flamengo, Corinthians e Palmeiras somados.

Dito isto, quando se resolve odiar, nenhum clube desperta tamanho consenso quanto o Flamengo.

Ranking geral dos times mais odiados do Brasil

O Rubro-Negro foi citado por 13,5% dos entrevistados, à frente de Corinthians (11,1%), Palmeiras (7,7%) e Vasco da Gama (4,6%). Não parece coincidência que o topo da rejeição reproduza, com variações, a elite das maiores torcidas nacionais. A exceção é o São Paulo, citado por apenas 1,7%. Alijado das dicotomias entre Flamengo e Vasco, Corinthians e Palmeiras, O Tricolor Paulista aparece relegado a uma condição que sua torcida não ocupa no ranking das maiores.

Alguém pode ser profundamente odiado dentro de seu estado e passar despercebido no restante do país. Para aparecer em posição “nobre”, é preciso ter torcida espalhada, espaço na TV, disputar títulos e entrar na vida do secador. Neste sentido, o ódio funciona como um próprio termômetro de popularidade. Ninguém odeia quem lhe é indiferente.

O recorte regional ajuda a entender.

Times mais odiados do Brasil por região

Flamengo e Corinthians são os únicos clubes que alcançam dois dígitos em todas as regiões, confirmando uma penetração que os demais não possuem. No Norte/Centro-Oeste e no Nordeste, contudo, as citações ao Fla são largamente superiores. O cenário se inverte no Sudeste – região que possui o alvinegro como maior torcida. É ele quem concentra 12,9% dos raivosos, em apertada disputa contra 11,9% do Rubro-Negro. A reboque das rivalidades dos líderes, o rancor contra o Palmeiras (9,5%) e o Vasco (5,5%) é bastante importante. O mesmo se pode dizer do tratamento que Atlético-MG (3,1%) e Cruzeiro (2,5%) dispensam um ao outro.

No Sul, as duas maiores torcidas do Brasil empatam em 10,2% - enorme surpresa em se tratando de uma região em que não são os principais clubes. Apesar de se revezarem na condição, Grêmio (6,8%) e Internacional (6,5%) encontram-se na faixa de antipatia sulista equiparada à do Palmeiras (6,5%). Os 5,8% de “outros” aglutinam fenômenos locais como Athletico-PR, Coritiba e clubes catarinenses.

A antipatia das quatro maiores do Nordeste segue a ordem, mas reserva um espaço para o Santa Cruz na quinta posição, com nada desprezíveis 3,6% - reflexo da concentração de votos dos rubro-negros do Sport Recife. Pernambucanos, baianos e cearenses se espremem em 9,9% de “outros”, número que só não supera os 10% verificados no Norte e Centro Oeste – sendo esta a região em que o Flamengo atinge seu maior número (17,6%).

Times mais odiados do Brasil por faixa etária

Um número interessante é a configuração entre pessoas mais jovens. O Palmeiras é citado por 9,9% daqueles entre 16 e 24 anos, percentual que cai progressivamente até chegar a 4,5% acima de 60 anos. No caso do Vasco, a diferença é maior: 8,2% entre jovens e 3,9% em meio a idosos. A explicação recai sobre as torcidas nestas faixas etárias. Pesquisa Datafolha 2026 expôs que o Flamengo detém 30% do universo entre 16 e 24 anos, enquanto o Corinthians concentra 18%. Acima de 60, a soma cai para 26%. Existe, portanto, uma quantidade muito maior de jovens flamenguistas e corintianos aptos a apontar Palmeiras e Vasco como adversários.

A idade revela outra questão. Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, 35% dizem não odiar nenhum clube. O percentual chega a 47,8% entre aqueles com 60 anos ou mais. A rejeição declarada diminui conforme idade e temperança avançam. Parte disso pode estar relacionada à forma como cada geração acompanha futebol, com os mais jovens vivendo o esporte cercados por páginas de provocação, cortes de programas e discussões entre influenciadores.

Times mais odiados do Brasil por gênero

O recorte por gênero segue direção parecida. Entre homens, 34,7% afirmam não odiar ninguém, número bastante inferior ao que se verifica entre mulheres (49%). Flamengo (15,8%), Corinthians (13,9%) e Palmeiras (9,2%) possuem rejeição claramente maior no público masculino. Em termos percentuais, Atlético-MG e Internacional não são queridos por algo entre o duas e três vezes mais homens do que mulheres. O Santa Cruz é o oposto do Inter, embora números pequenos recomendem cuidado antes de se construir teorias.

A pesquisa não explica a razão da escolha de cada entrevistado. Nem sempre é prudente tratar o primeiro lugar como troféu, pois existem clubes rejeitados por conta de dirigentes, torcedores, episódios históricos e má imagem construída fora de campo. Ainda assim, o desenho geral é difícil de ignorar, já que os clubes com presença nacional são os únicos rejeitados país afora – e isto logicamente é sintoma de grandeza.

Mas o principal número continua sendo aquele que dificilmente ganhará uma discussão nas redes sociais. Quase metade dos brasileiros não odeia clube algum. O país real ainda gosta mais de futebol do que de brigar por causa dele.

Não é o que parece no Twitter...

Vinicius Paiva
O Idealizador
contato@audiencias.com.br

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