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Critérios · Metodologia

Por que pesquisas de torcida?

O Portal Audiências foi oficialmente lançado ontem, dia 18/08/2026. Desde já, agradeço pelo carinho e os votos de sucesso dos amigos que construí pela jornada. E apesar de suas muitas vertentes, especialmente a seção “Audiências” (que pode ser acessada na header acima) – que reúne um impressionante arsenal de 13 anos de medições do futebol, além de um inovador “Mapa de Calor” em sua seção “Praças” – o grande sucesso foram os mapas interativos da seção “Torcidas”. Para surpresa de um total de zero pessoas.

Desde os tempos mais remotos (e não quero ficar remontando com tanta frequência o Blog Teoria dos Jogos), optei por transformar em trabalho minha paixão pelo mapeamento das pesquisas. A ponta do iceberg vem de algo lúdico: pesquisas são uma fonte de orgulho, tiração de sarro e auto afirmação para as maiores torcidas. Todos sabem que sou flamenguista, portanto esta é uma questão à qual somos especialmente caros.

Mas não é por sua ponta visível que um iceberg navega. O que faz pesquisas de torcida tão importantes é que elas representam um retrato mercadológico, uma prova de difusão e um mapeamento geográfico de consumo e poder aquisitivo. Trata-se de algo importante para empresas e pessoas que visam empreender, tanto que existem diversas ferramentas que vendem este tipo de informação. Pois bem: os mapas interativos do Portal Audiências – especialmente a chave “Por Clubes” da seção de pesquisa “Nacionais” (imagem abaixo) – trazem um pouco disto.

Mapa Por Clube do Portal Audiências com o Flamengo selecionado, mostrando a intensidade da presença por estado

A chave “Por Clube” do mapa nacional: a intensidade do sinal do Flamengo, estado a estado.

Ato contínuo à nossa estreia, vieram as dúvidas sobre quais foram meus critérios para absorção de pesquisas, em face de tantas diferenças de métodos, institutos e disponibilidades. Preparei, portanto, uma lista contendo alguns dos principais critérios de incorporação de pesquisas ao Portal Audiências:

1. A pergunta tem que ser única. "Para quem você torce?" — uma resposta, um clube. Nada de “qual é o seu time nacional”, arando terreno para o “para quem você torce no estado”. O debate acerca das preferências de segunda torcida é riquíssimo e será abordado neste espaço, do Blog. Mas não nos mapas e tabelas da seção “Torcidas”.

2. Pesquisa espontânea vale mais que estimulada. Perguntar sem lista é diferente de mostrar vinte escudos e pedir para escolher. Com a lista na frente, quase ninguém responde "nenhum" – e isto maquia tamanhos artificialmente. A média nacional de respostas “nenhum” costuma ficar no entorno de 20%. Localidades com menos de 10% ou mais de 40% destas respostas certamente poderiam adotar metodologias melhores.

3. Base População separada de Base Torcida. Pesquisas calculadas sobre toda a população (contendo o “nenhum”) ou sobre quem declarou torcer denotam réguas diferentes. A projeção errônea das pesquisas sem “nenhum” (ou seja, sob a ótica das torcidas) é razão de haver clubes chegando tão facilmente à casa das dezenas de milhões de torcedores*. No Portal, estas duas óticas nunca se misturam sem ao menos um disclaimer.

*O maior número possível do Flamengo se encontra na casa dos 46 milhões de torcedores (22% da pesquisa da Datafolha 2026 sobre uma base de 210 milhões de habitantes) – ainda assim, uma forçação de barra. Todos os demais se encontram abaixo dos 29 milhões de torcedores (não mais que isso) do Corinthians.

4. Instituto local tem prioridade. Saber quem manda numa cidade do interior que ouviu 400 pessoas vale mais do que uma pesquisa nacional que ouviu uma ou duas por ali. Isto parece óbvio, mas mesmo grandes capitais possuem número irrisório de entrevistados numa pesquisa nacional com 2.000 pessoas. Nestes termos, um instituto local que tenha entrevistado algumas centenas na mesma cidade tende a ter maior valor.

5. Pesquisa mais nova tem prioridade. Até a página dois. Diante de duas pesquisas que denotem o mesmo recorte geral, a mais nova terá prioridade. Mas esta não será uma regra absoluta. Levantamentos antigos podem permanecer quando mais esclarecedores, ou seja, tendo mais recortes de renda, faixa etária, escolaridade ou mesmo bairros/distritos. Recência é bom mas não é tudo.

6. Enquete não é pesquisa. Votação de internet, números de sócios-torcedores e contagem de camisas na rua não entram – por maiores que sejam suas amostras. Sem método estatístico, este tipo de debate (que é bastante válido, diga-se de passagem) fica para as análises de redes sociais.

7. O Portal possui curadoria. Uma pesquisa pode não estar mais no ar, e ainda assim, entrar para a base, desde que tenha sido guardada por mim ou alguma das minhas fontes. Por outro lado, pode ser divulgada e não absorvida por erros ou vieses extremos. Sempre evitarei deixar pesquisas de fora dentro de um processo tão penoso quanto o de mapear o Brasil por inteiro, mas isto nem sempre será possível. Diante de encruzilhadas, há sempre que haver uma palavra final.

Se você gosta de mapeamentos de torcidas, fique ligado no Portal Audiências, por aqui e no X/Twitter. Nas próximas semanas, municípios e estados serão incorporados, assim como recortes de pesquisas nacionais recentes, analisados. E se conhece alguma pesquisa que não está aqui, basta nos enviar o link por algum dos canais ou pelo e-mail, contato@audiencias.com.br. Será um prazer tê-lo como colaborador.

Vinicius Paiva
O Idealizador

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