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Onde as pesquisas erram mais

Onde as pesquisas erram mais

Quem erra mais: pesquisas de intenção de voto ou pesquisas de torcida? A cada ano eleitoral, chama atenção o quanto as pesquisas erram ao tentar prever as intenções de voto da população. Pesquisas de torcida são divulgadas com maior frequência, mas elas também não passam livres de muitos questionamentos com relação aos números que trazem.

No universo eleitoral, os exemplos de erros dos institutos de pesquisas são abundantes. O padrão que se repete é o de subestimar o candidato de direita na reta final e errar a ordem quando movimentos acontecem de última hora e quando existem movimento de voto útil com desidratação de outras candidaturas. Além das abstenções, que se mostram crescentes e nunca são calculadas corretamente.

No primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) fez 47,03% dos votos válidos e Lula (PT), 45,16%, mas quase todos os levantamentos da véspera colocavam Lula numericamente à frente. Datafolha, CNT/MDA e Atlas/Intel. Todos erraram. Flávio foi subestimado em cerca de 3 a 4 pontos. Na reta final, apenas a Gerp e a Veritá colocaram o Senador numericamente à frente, e geralmente essa dianteira se referia aos números do segundo turno. O desenho repete 2022, quando Datafolha e Ipec davam Jair Bolsonaro em torno de 36% dos válidos e ele terminou com cerca de 43%.

Erros em pesquisas eleitorais

O desvio aparece com mais força nos votos estaduais. Em 2018, no Rio, Wilson Witzel começou com 1% em agosto. Na véspera o Ibope lhe dava 12%, contra 32% de Eduardo Paes. E nas urnas ele fez 41%. Eduardo Paes foi vítima do mesmo derretimento em 2026, desta vez contra Douglas Ruas – que levou a eleição fluminense no primeiro turno, ao contrário dos prognósticos. Para o Senado, os exemplos são infindáveis. Dilma Roussef liderava as pesquisas em Minas Gerais em 2018 e terminou em quarto lugar – mesma posição reservada a Gleise Hoffman no Paraná em 2026. Benedita da Silva liderava no Rio, segundo o Datafolha, e ficou de fora. Marina Silva e Simone Tebet também, só que eu São Paulo. Todas elas perderam por muito para candidatos das chapas dos governadores e do partido liberal, dos Bolsonaro.

Nas pesquisas de torcida, alguns questionamentos são clássicos. Como o Vasco, que a vida inteira brigou pela condição de terceira ou quarta maior torcida brasileira, mas que atualmente vem sendo colocado como quinto ou mesmo sexto maior em alguns levantamentos recentes. Seria a torcida vascaína menor do que a do Cruzeiro e equivalente à do Grêmio? Fato é que a baixa amostragem muitas vezes leva a erros crassos no universo das torcidas de futebol. Pesquisas com 2 ou 3 mil entrevistados nacionalmente tem boa margem de erro apenas para os números nacionais – mas apresentam margem de erro galopante nos estados, e isto muda tudo no ordenamento e nos recortes específicos. Outro defeito são as projeções mal feitas em levantamentos muito focados nas capitais mas que projetam estes números para o interior. Em estados cuja configuração capital-interior é diametralmente oposta, como Paraná, Pernambuco, Bahia e Ceará, isto geralmente leva a enormes distorções – como na pesquisa Lance-Ibope de 2014 em que o Atlético PR foi tido como maior do que o Corinthians no Paraná.

Erros em pesquisas de torcida

Pesquisas erram para todos os lados. Entretanto, pode-se dizer que existe uma característica de maior volatilidade nas pesquisas eleitorais. Os erros nas pesquisas de torcida, que possuem preferências mais estáveis, costumam vir da natureza falha de suas metodologias, enquanto opções políticas realmente estão passíveis de enormes movimentos de flutuação de última hora. Quantos não deixaram para escolher seus candidatos em eleições proporcionais, como deputados ou vereadores, na última hora? Mesmo um cargo como o de presidente, que costuma apresentar decisão mais firme, está passível de viver desidratações por voto útil.

Em resumo, pode-se dizer com razoável grau de certeza que pesquisas eleitorais erram muito mais do que pesquisas de torcida – e isto deve continuar acontecendo. Leve em consideração na hora de depositar seu voto com reflexão e consciência, nunca baseado no que dizem os institutos.

Vinicius Paiva
O Idealizador
contato@audiencias.com.br

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