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Torcidas · Pesquisa

Pesquisa inovadora coloca Chape como maior de Santa Catarina

Escudos da Chapecoense e dos principais clubes catarinenses

Uma nova pesquisa colocou a Chapecoense numa posição que, até poucos anos atrás, provavelmente causaria estranhamento: a de clube catarinense com a maior torcida dentro de Santa Catarina. E foi além: demonstrou que existem óticas bastante diferentes no tocante às preferências clubísticas, com números mudando quando a modelagem da pergunta se altera.

Segundo levantamento realizado pela Neokemp Pesquisas, 14,6% dos entrevistados apontaram a Chapecoense quando questionados sobre o clube catarinense para o qual torcem. O resultado deixa o time de Chapecó com uma vantagem considerável sobre Avaí, Criciúma, Joinville e Figueirense, agremiações mais antigas e tradicionalmente associadas aos maiores centros populacionais do estado.

O ranking completo foi o seguinte:

PosiçãoClubePercentual
Chapecoense14,6%
Avaí8,1%
Criciúma7,5%
Joinville7,0%
Figueirense5,2%
Marcílio Dias2,5%
Brusque1,5%
Barra1,3%
Outros clubes catarinenses4,6%
Nenhum clube catarinense47,7%

Os números foram obtidos em entrevistas realizadas nos dias 22 e 23 de julho de 2026 com 1.008 moradores de 100 municípios catarinenses. A pesquisa ouviu pessoas a partir de 16 anos por meio de entrevistas telefônicas automatizadas. A margem de erro informada é de 3,1 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Ela não foi incorporada nos materiais de torcidas do Portal Audiências porque apenas incluímos pesquisas com todos os clubes – e não “qual é o seu time no estado”. Porém isto não diminui a importância do material a ser analisado pelo Blog do Vinicius Paiva.

A pesquisa tratou especificamente dos clubes de Santa Catarina. Portanto, o percentual de 47,7% atribuído a “nenhum” não significa que quase metade da população catarinense não tenha time, mas que estas pessoas não declararam torcida por um clube local. Nesse contingente se encontram as maiores torcidas catarinenses propriamente ditas: Flamengo, Grêmio, Internacional, Corinthians, Palmeiras, Vasco, São Paulo e outras.

O mapa das torcidas catarinenses continua profundamente regionalizado. A Chapecoense alcançou 42,3% no Oeste; o Criciúma chegou a 27,7% no Sul; o Joinville, a 26,7% no Norte. Na Grande Florianópolis, o Avaí apareceu com 19,2%, enquanto o Figueirense registrou 16,9%. Esta configuração ajuda a explicar por que nenhum clube domina sozinho o estado inteiro. Santa Catarina possui polos urbanos relativamente independentes, histórias regionais distintas e identidades futebolísticas construídas ao redor de diferentes cidades.

A liderança da Chapecoense nasce de uma hegemonia muito acentuada em sua região de origem, mas não apenas. Reportagens sobre o levantamento também apontam a equipe na primeira colocação no Meio-Oeste e na Serra, sinal de que sua área de influência ultrapassa Chapecó e o extremo Oeste.

O fenômeno é especialmente significativo porque a Chapecoense disputa espaço com clubes mais antigos e sediados em regiões mais populosas. O Avaí foi fundado em 1923. O Figueirense, em 1921. O Criciúma é um dos clubes mais vitoriosos do estado. O Joinville representou, durante décadas, uma das principais forças do futebol catarinense.

Já a Chape foi fundada em 1973 e transformou sua ascensão esportiva em expansão territorial. As participações na Série A, a campanha internacional de 2016, a comoção provocada pela tragédia daquele ano e a permanência do clube no imaginário nacional produziram uma projeção que nenhum outro time do estado alcançou no mesmo período.

Diferença entre torcida, simpatia e percepção de torcidas

O mais interessante é que o estudo da Neokemp não se limitou à declaração direta de torcida. Ele também investigou a mera simpatia pelos clubes e a percepção dos catarinenses sobre qual agremiação possui a maior torcida. Pesquisas antigas no Brasil já mediram as maiores torcidas do país desta maneira – o que constitui um enorme erro, conforme expõe o estudo. Basta mudar a pergunta ou a ótica dela que os números se transformam totalmente.

Na pergunta sobre simpatia, a vantagem da Chapecoense ficou mais proeminente:

ClubePercentual
Chapecoense30,7%
Avaí15,4%
Criciúma13,8%
Joinville8,1%
Figueirense7,7%
Nenhum13,9%

O número sugere que o alcance emocional da Chapecoense é maior do que sua torcida declarada. Pessoas que possuem outro clube principal, inclusive de fora de Santa Catarina, podem manter simpatia pela equipe de Chapecó.

Quando os entrevistados foram convidados a indicar qual clube catarinense possui a maior torcida, o Avaí cresce e cola na Chapecoense:

ClubePercebido como dono da maior torcida
Chapecoense25,5%
Avaí24,3%
Criciúma14,1%
Figueirense12,0%
Joinville6,4%
Sem torcida expressiva14,3%

A diferença entre Chapecoense e Avaí nessa pergunta está dentro da margem de erro. Isso revela uma característica interessante: a Chape lidera com folga na declaração de torcida, mas sua condição não aparece de maneira igualmente consolidada na percepção coletiva.

Há, portanto, três dimensões diferentes:

Torcida declarada;
Simpatia por determinado clube;
Percepção sobre o tamanho das torcidas.

Em outra pergunta do levantamento, 50,8% dos entrevistados afirmaram torcer atualmente para algum clube de Santa Catarina. Outros 43,8% disseram não torcer para nenhuma equipe do estado, enquanto 5,4% declararam que já acompanharam um clube catarinense, mas deixaram de fazê-lo.

Independentemente da ótica, a Chapecoense superou individualmente as principais forças da capital, do Norte e do Sul do estado. Também liderou com grande vantagem o índice de simpatia. Mais do que decretar que a Chape “seja maior” em termos absolutos, a pesquisa registra uma transformação importante no futebol de Santa Catarina. Em poucas décadas, um pequeno clube do Oeste deixou de ser uma força regional para assumir a liderança tangível e a identificação declarada do torcedor catarinense.

Vinicius Paiva
O Idealizador
contato@audiencias.com.br

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